A advogada Patrícia, responsável pela defesa dos dirigentes do terreiro onde ocorreu o ritual religioso que terminou com a morte do jovem Maycon Henrique de Jesus Souza, de 19 anos, falou à reportagem sobre a reconstituição realizada na tarde desta sexta-feira (19), no bairro Granville, em Anápolis.
Segundo a defensora, a simulação conduzida pelas autoridades foi fundamental para esclarecer a dinâmica dos fatos que resultaram na tragédia ocorrida em setembro de 2025. Para ela, o trabalho técnico demonstrou como as chamas se propagaram e atingiram a vítima durante o ritual.
“Foi uma fatalidade, um fato extremamente lamentável. A reconstituição mostrou quem lançou o combustível, a trajetória do fogo e como a ação do vento contribuiu para que as chamas atingissem a roupa da vítima. Foi um procedimento muito esclarecedor e importante para o esclarecimento dos fatos”, afirmou a advogada.
Patrícia sustenta que os dirigentes e responsáveis pelo templo religioso não tiveram participação direta no episódio que culminou na morte do jovem. Segundo ela, embora possa existir discussão sobre eventual responsabilidade relacionada à administração do local, os responsáveis pelo terreiro não teriam praticado nenhuma ação que provocasse diretamente o acidente.
De acordo com a versão apresentada pela defesa, uma participante do ritual, identificada como “filha da casa”, teria sido a responsável por lançar o combustível no caldeirão utilizado durante a cerimônia religiosa.
Ainda conforme a advogada, a mulher teria agido por iniciativa própria, sem autorização dos dirigentes do terreiro e sem comunicar previamente que levaria o material inflamável para o local.
“A entrada do combustível não foi autorizada por ninguém. Ela levou o produto por conta própria e realizou o ato por iniciativa própria. Portanto, entendemos que a responsabilidade não pode ser atribuída aos dirigentes da casa”, declarou.
O caso aconteceu em 29 de setembro de 2025 e teve grande repercussão em Anápolis. Maycon Henrique de Jesus Souza sofreu queimaduras graves após ser atingido pelas chamas durante o ritual religioso. Ele foi socorrido e encaminhado para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu dias depois.
A Polícia Civil segue investigando o caso para concluir o inquérito e definir as responsabilidades criminais dos envolvidos. A reconstituição realizada nesta semana faz parte das diligências que buscam esclarecer todos os detalhes da ocorrência.
Fonte: Rota Policial Anápolis.