Uma bebê de aproximadamente 50 dias de vida foi internada em estado grave após dar entrada no Hospital Municipal de Morrinhos, no sul de Goiás, apresentando diversas fraturas pelo corpo. O caso mobilizou equipes médicas, o Conselho Tutelar e a Polícia Militar, culminando na prisão em flagrante do pai da criança por suspeita de maus-tratos. A mãe também foi detida inicialmente, mas acabou sendo liberada posteriormente.
De acordo com as informações apuradas, o pai levou a recém-nascida até a unidade de saúde alegando que ela estava chorando intensamente e demonstrava sinais de dor. Durante o atendimento, os profissionais perceberam um inchaço na região do ombro, o que levou à realização de exames de imagem.

Os resultados do raio-X revelaram um quadro extremamente grave. A bebê apresentava fraturas nas duas clavículas, nos dois úmeros, além de lesões nos rádios e nas ulnas, ossos localizados nos antebraços. Também foram observados diversos inchaços pelo corpo, levantando forte suspeita de agressões.
Diante da gravidade da situação, a equipe médica acionou imediatamente o Serviço Social do hospital, que comunicou o Conselho Tutelar e a Polícia Militar. Segundo profissionais da unidade, o número e a extensão das fraturas são incompatíveis com situações consideradas comuns em um bebê com pouco mais de um mês de vida.
Por necessitar de atendimento especializado, incluindo procedimentos cirúrgicos, a criança foi transferida ainda no mesmo dia para o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, onde permanece sob cuidados médicos. O estado de saúde da bebê não foi divulgado.
Durante a investigação, o delegado responsável informou que as versões apresentadas pelo casal sobre o ocorrido eram contraditórias. Inicialmente, o pai afirmou aos profissionais do hospital que a criança teria permanecido sob os cuidados de outras crianças enquanto chorava excessivamente.
Posteriormente, durante o depoimento à polícia, ele mudou a versão e declarou que ele e a companheira haviam viajado para o estado de Mato Grosso, deixando a bebê sob os cuidados de uma terceira pessoa por cerca de 13 dias. Já a mãe afirmou que a viagem teria durado apenas dois dias, aumentando as inconsistências nos relatos.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores é que o casal informou apenas o primeiro nome da suposta pessoa responsável pelos cuidados da criança, sem fornecer endereço, telefone ou qualquer informação que permitisse sua localização.
Diante das lesões constatadas e das contradições apresentadas, o pai foi autuado em flagrante pelo crime de maus-tratos. A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer como a bebê sofreu as fraturas, identificar a suposta cuidadora mencionada pelos suspeitos e responsabilizar todos os envolvidos.
As circunstâncias que provocaram os ferimentos ainda serão esclarecidas por meio das investigações e de exames periciais, enquanto a criança permanece recebendo atendimento especializado.