Uma médica que ocupa o cargo de chefe da ginecologia e obstetrícia do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, foi denunciada pelo Ministério Público após mensagens atribuídas a ela indicarem uma suposta orientação para que pacientes identificados como simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT) não recebessem alta durante o fim de semana das eleições.
As mensagens teriam sido compartilhadas em um grupo privado formado por médicos. De acordo com prints obtidos pela TV Anhanguera, a médica Marcella Segato de Sousa Melo teria feito referência a apoiadores do PT e orientado colegas a não conceder altas no sábado e no domingo (4), data da eleição.
O caso chegou ao Ministério Público, que apresentou denúncia contra a profissional diante da suspeita de que ela teria orientado funcionários da unidade a dificultar ou negar pedidos de alta durante o período eleitoral.
HOSPITAL AFASTA MÉDICA
Após o episódio, a direção do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara informou que Marcella foi retirada da escala de atendimento.
Em nota, a unidade também procurou deixar claro que as declarações atribuídas à médica não representam a posição oficial do hospital nem da gestão responsável pela administração da unidade.
Segundo o hospital, o conteúdo foi compartilhado em um ambiente privado entre profissionais, não se tratando de uma orientação institucional.
CREMEGO VAI APURAR O CASO
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) também se pronunciou sobre a denúncia. O órgão informou que casos relacionados à possível violação de normas éticas por médicos são apurados de acordo com os procedimentos previstos e tramitam sob sigilo.
O conselho afirmou ainda que, diante de denúncias envolvendo profissionais, solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição mencionada.
MÉDICA NÃO SE MANIFESTOU
A reportagem tentou localizar Marcella Segato de Sousa Melo para obter um posicionamento sobre as mensagens e a denúncia apresentada pelo Ministério Público, mas não houve retorno até a última atualização.
A defesa da médica também não foi localizada.
O caso deverá ser analisado pelas autoridades competentes, que irão apurar o conteúdo das mensagens e se houve, de fato, orientação para impedir ou retardar a alta de pacientes por motivo político.