Famosa entre todos os moradores de Anápolis, a Vila Jaiara passou a existir na década de 1940, quando a região era formada por fazendas e cortada pela Rodovia Anápolis–Ceres.
O ponto de transformação do bairro ocorreu com a instalação da Companhia Goiana de Fiação e Tecelagem de Algodão, empresa inaugurada em 1951. Foi a partir dela nasceu oficialmente a Vila Jaiara, que teve o nome inspirado nos filhos do engenheiro Luiz Caiado de Godoy, Jairo e Yara.
Visionário e empreendedor, Luiz loteou parte das terras herdadas do pai e ofereceu terrenos a preços acessíveis, atraindo famílias em busca de moradia e oportunidade de trabalho.
Não demorou para que a Companhia Goiana se destacasse no setor têxtil ao produzir sacarias que abasteciam o comércio atacadista de cereais em Goiás.
Em 1958, a empresa foi adquirida por um grupo empresarial de Taiwan, que modernizou e diversificou a produção. Sob o nome de Anápolis Indústria Têxtil (Anatex), chegou a empregar cerca de 1.500 trabalhadores, consolidando-se como uma das maiores fábricas do setor no Brasil.
Após pouco mais de uma década, o grupo estrangeiro deixou o empreendimento, que entrou em processo de falência. No início dos anos 1970, porém, o empresário Waldir Odwayer conduziu a recuperação da empresa, que mais tarde foi adquirida pela Vicunha Têxtil. A unidade permaneceu em atividade até 1998.
Em tempo
Em 1952, a fundação do Grupo Escolar Gomes de Souza Ramos, primeira escola da Vila Jaiara, representou um marco no fortalecimento da vida comunitária, oferecendo acesso à educação para os filhos das famílias que se estabeleciam no bairro.
Com o passar dos anos, a Jaiara cresceu exponencialmente e, atualmente, oferece aos moradores comércio variado, além de escolas, unidades de saúde, restaurantes e bares.
O processo de crescimento deu origem à chamada Grande Jaiara, que hoje abriga uma população estimada em mais de 100 mil habitantes, consolidando a região como um dos principais polos urbanos de Anápolis.
As informações são de Jairo Alves Leite, historiador e presidente do Instituto de Patrimônio Histórico e Cultural Professor Jan Magalinski.